("Para sonhar um ano novo que mereça este nome, você, meu caro, tem de merecê-lo, tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil, mas tente, experimente, consciente. É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre."
Carlos Drummond de Andrade)
Eu não ia escrever nada, mas não dá pra deixar um ano como esse passar batido. Prometo que vou tentar ser o mais breve possível haha
2013 foi o ano mais louco da minha vida, o ano de mudanças, de descobertas, de lutas, de novas amizades que se tornaram eternas, de algumas brigas, confusões, foi o ano em que o "Brasil acordou", e o povo (será?) foi pra rua, um ano de muita formação e aprendizado.
Logo no começo do ano já começo a militância no Movimento Estudantil em cadeia nacional participando do Coneb da UNE, lá eu percebi que nosso país é muito grande, que se na zona leste de SP (que é onde eu moro) existe muita pobreza, no interior do nordeste existe mais, que se nas universidades de São Paulo temos muitas deficiências nas bibliotecas, nos materiais, superlotação nas salas e etc, nas faculdades do interior de Minas Gerais sequer bibliotecas existem. Conhecer estudantes cotistas, prounistas, de universidades particulares, públicas estaduais e federais, me fez perceber que temos muito pelo que lutar, que esse governo do PT proporcionou muitas mudanças na vida dos trabalhadores, mas que ainda precisamos de mais mudanças, se conseguimos colocar mais pretos e pretas nas universidades com as cotas, precisamos de garantir a continuidade e bom rendimento desses estudantes por meio de programas de permanência e assistência estudantil.
Voltei a militar no movimento negro, dessa vez como militante ativa e não apenas a menininha que acompanhava a mãe nas reuniões. E isso mudou minha vida, toda minha forma de pensar, me fez questionar todos os meus padrões e desejos e tudo, enfim, o movimento negro fez nascer uma nova Tamires, por que se no ME eu percebi que muito temos que fazer pelos estudantes, no MN eu abri os olhos para perceber o quão racista é nossa sociedade, nossos cidadãos, a mídia, o judiciário, enfim toda a nossa estrutura do Estado, e como é difícil lutar contra uma história de mais de dois terços de escravidão de um país. Com a Frente Pró Cotas encontrei uma meta nessa militância: tirar os pretos e pretas das ruas, das periferias, dos piores empregos, da invisibilidade e coloca-los nas melhores universidades do país, nos espaços de poder, em melhores posições sociais. Ao se deparar com o PIMESP do Alkimin, que é uma piada pronta e típico de um governo racista que sequer faz questão de camuflar o exterminio da juventude negra que está fazendo, o movimento negro se organizou e impediu que este que é um programa de inclusão por cotas que excluí o cotista ser sancionado. Fizemos o PL de Cotas de iniciativa popular e estamos com ele nas ruas até hoje para garantir que as universidades estaduais paulistas tenham um programa de cotas que comtemple e inclua xs pretxs nessas, que são consideradas as melhores do estado e do país.
Mais uma luta que passei a abraçar esse ano foi a luta contra opressão de genero. O feminismo sempre foi presente na minha vida, tenho uma mãe maravilhosa, que sempre me mostrou que uma mulher pode fazer tudo o que quiser, que é poderosa e que não precisa de homem nenhuma pra nada, e que nunca devo abaixar minha cabeça, e que sou uma mulher negra, que não deve se deixar levar pelos padrões de beleza eurocentricos que dominam nossa sociedade. Por isso sempre tive claro em minha vida que a mulher é um ser politico, livre, poderosa e tudo mais, mas infelizmente essa não é a visão de todos, o machismo domina a estrutura de nossa sociedade e as mulheres são sempre subjulgadas, sexualizadas e muito dificilmente conseguem o respeito de seus companheiros. Mas existem muitas mulheres que estão na luta para acabar isso, e muitos homens também, mas essa luta acima de tudo por se tratar da emancipação da mulher, deve ser protagonizada pelas mulheres. Como sempre a questão racial deve ser destacada, principalmente nessa questão pois se a mulher é deslegitimada nos espaços, a mulher negra é totalmente deixada de lado, somos o “outro do outro” e estamos ao contrário de todos os padrões de beleza, e de vida. A mulher negra tem que ser a força em pessoa, senão não aguenta a pressão que sofre, somos para os homens as putas, para as empresas a secretária, para as escolas faculdades as empregadas, na familia doriana somos a doméstica, na politica então, quase não existimos. Por isso é muito importante destacar o feminismo da mulher negra, que não é o mesmo da mulher branca, ou da indigena, pois vivemos e sofremos do machismo de formar diferentes, e essas diferenças devem ser consideradas. Participei do Encontro de Mulheres Estudantes da UNE, onde esses debates foram feitos voltados para a vida das estudantes, participei do Nisia Floresta que é um coletivo feminista do Mackenzie, conheci a MMM, as jovens mulheres do PT, e me tornei a Coordenadora Nacional da PARATODAS, que é um coletivo de mulheres da ParaTod@s, movimento no qual eu milito no Movimento Estudantil.
Todas essas lutas foram feitas com uma estrela carregada no peito, a estrela do PT, o partido que desde o ano passado milito e que muitos anos a frente vou militar pois é o instrumento que tenho para transformar essa sociedade, para emancipar nossas mulheres, empoderar xs negrxs, para erradicar a pobreza, concretizar os sonhos dos trabalhadores e fazer com que o filho do pedreiro vire doutor. 2013 foi um ano dificil para o PT, fomos atacados, nossos dirigentes históricos foram presos, a mídia golpista sempre divulgando os interessas da elite. Mas o nosso partido é forte, por que nossos militantes acreditam em nosso programa e em nossa meta de viver em uma sociedade socialista e democrática.
Mais um ano no Mackenzie, mais um ano sem dp’s haha, ano em que conheci grandes professores, que viraram meus mestres, ano em que participei de vários debates. Ano em que junto com alguns alunos criamos a Frente Perspectiva, um coletivo de esquerda, que pauta o combate as opressões, coletivo este que fez uma intervenção nos trotes, questionando a violência desses e o machismo pelo qual nossas alunas passam ao passar no vestibular, fico feliz em ver que o que iniciou com essa intervenção passou a ser um coletivo que integra alunos de vários cursos da UPM. Nesse ano também participei de uma mesa de debates sobre a questão racial, promovido pelo CAJMJr, esse foi um momento de grande emoção pra mim, pois estar ali naquela mesa, ao lado do professor Dr Silvio Almeida, presidente do Instituto Luiz Gama, e da Sandra Carvalho que é da secretária de Combate ao Racismo da CUT, foi como um sonho sendo realizado. O Mackenzie mesmo com todas as criticas que possam ter foi a primeira instituição de ensino a ter salas mistas, com homens e mulheres, foi a primeira também a aceitar negros e negras em suas salas de aula, e além disso foi a primeira universidade a ter no comendo da reitoria uma mulher. Temos muitos prounistas, muitas mulheres, o vermelho do nosso logo é um vermelho comuna haha, por isso que visto a camisa e onde for o bando de loucos do Direito Mack vai estar. Por que eu sei que sou uma dentre tantas mackenzistas que estão na luta por uma sociedade melhor, mesmo que seja do modo coxinha mackenzie de ser haha
Mais uma coisa, ao participar das Conferencias de Promoção da Igualdade Racial, me deparei com a religião de matriz africana e sua luta contra o racismo e essa passou a ser também minha luta. Não existe exemplo mais claro de quão racista é nossa sociedade do que a forma como é vista nossa religião. O nosso povo, seja ele jeje, nagô, ketu ou bantu, possuem uma cultura extremamente rica e uma religião fantástica e encantadora. A energia que os orixás nos transmitem são revigorantes e nos dá força para lutar cada vez mais. Eu não conheço muito, só o que li não é nada já que a reliigião você vive e assim aprende, não sei se estou falando bobagens e se estiver desrespeitando peço desculpas. Mas só não podia deixar de citar que eu sei que não estou sozinha nessa luta, que meus orixás estão do meu lado me transmitindo muito axé para enfrentar qualquer adversidade.
2013 foi o ano mais louco da minha vida, amei muito, sorri, chorei, vivi, fiz amigos eternos, ganhei mestres e mestras, muito misterio, saúde, amizades, festas, praia, primeiro ano em que pulei o carnaval la nos blocos de rua do Rio, primeira vez em que andei de avião, primeiro discurso em um trio eletrico, estou num estágio sensacional finalmente, manifestações, lutas e mais lutas, e muita energia para muito mais. Minha história está traçada, estarei na luta até o fim, sou jovem, mulher, sou negra, da periferia, sou macumbeira, sou maloqueira e o meu nome é Revolução.
Feliz Natal, feliz solsticio de verão, que todos os deuses, orixás, elementais, anjos e espiritos de luz abençõem a sua jornada, a sua familia, e dê forças para as lutas do seu dia-a-dia.
Obrigada a todos vocês que participaram e estiveram do meu lado nesse ano, esse com certeza vai entrar pra história e a gente com certeza vai ter muito o que fazer nesse ano que chega.
VEM, VEM, VEM 2014 VEM!!!
PS: Faltou muita coisa ainda pra falar, mas se eu escrevesse tudo o que foi esse ano pra mim não ia acabar nunca hahaha
Tamires Sampaio


Realmente me admira seu crescimento e amadurecimento,vejo que esta caminhando para sua individualidade onde com o coletivo militante vai se identificando e se construindo ,sou sua fã e agradeço por ser sua mãe Feliz natal e um 2014 maravilhoso.Deus te encha de bençãos e luz.
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