domingo, 29 de dezembro de 2013

Dentro de toda mulher negra existe uma Guerreira



Cotidiano interrompido...

Zona Leste de São Paulo, tarde de Natal e três amigas conversando na calçada da rua onde elas moram, muitas famílias reunidas, pessoas andando pelo bairro, quando de repente dois amigos sobrem a rua de moto, logo atrás deles 4 Rocans que os fizeram parar para uma abordagem policial. Até ai nada de estranho certo?  Pois vejam o que acontece a seguir...
Um dos Policiais Militares (PM) fez um dos meninos descer da moto e assim que ele pisou no chão deu uma rasteira para que ele caísse no chão, e logo em seguida começou a chutar o menino como verdadeiros marginais. Eu poderia ficar ficar quieta, entrar em casa e chamar a policia(?) por que isso é um crime, poderia fingir que nada estava acontecendo, mas isso é impossível para quem tem um pingo de sangue correndo nas veias, então como ajuda não tinha para quem pedir, eu acabei ficando lá, de braços cruzados, olhando a cena e esperando que eles tivessem o minimo de senso ao perceber que estavam olhando para o absurdo que eles estavam fazendo.

Fiquei olhando essa abordagem com nojo, com ódio, com um sentimento de impotência, por que eu que sou militante do movimento negro, moro na periferia de São Paulo, já ouvi muitas histórias sobre abuso de autoridade da PM, que não tem pudor nenhum em matar o meu povo (a juventude negra), e que claramente se acham no poder de fazer esse tipo de enquadro todos os dias, pois o Estado os dá esse aval. Mas a história não termina ai, por que eu por acaso estava com o celular na mão, conversando com um amigo pelo messenger, e isso fez toda diferença nessa situação. Os PMs me viram olhando e ficaram incomodados, e uns minutos depois aquele policial que no inicio do enquadro deu uma rasteira no menino veio subindo a rua na minha direção. Eu sabia que ele viria falar comigo, mas não imaginava que seria tão absurdo como foi a cena.

Ele quando chegou perto de mim e gritou perguntando o que estava fazendo, disse que estava olhando a abordagem, logo apos responder isso ele viu meu celular na mão e perguntou se estava filmando, disse que se ele quisesse ele poderia pegar o meu celular, tacar no chão, pisar em cima e quebrar por que ele PODE fazer isso. 

Eu fiquei assustada, mas em momento algum iria baixar a cabeça para um ser desses. Disse que fazia Direito e que não, ele não podia fazer isso, assim como não podia fazer o que eu estava vendo, ele disse que não valia de "porra nenhuma" fazer direito por que ele era formado, e que ele estava "limpando a rua" para nós. Fiquei abismada com essa resposta, disse que me impressionava um formado em Direito fazer e falar uma coisa dessas, ele novamente ameaçou quebrar meu celular, perguntou se eu duvidava que ele podia fazer isso, eu respondi que não duvidada (mesmo por que, um cara desses que deve matar por diversão, que abordava jovens daquele jeito, não teria pudor nenhum em quebrar um celular). Eu comentei que morava ali, ele voltou a dizer que estava limpando a rua e que os meninos eram lixo, e eu que estava com todo tipo de pensamento na cabeça, que lembrei de tantos casos de assassinatos de jovens por policiais, casos de abuso de autoridade, de jovens desaparecidos, de mulheres estupradas em desapropriações de posse, não aguentei aquela situação na minha frente, e disse que lixo era ele. Congelei quando percebi o que fiz, mas ele já estava se afastando, acho que não ouviu pra minha sorte, vai saber o que ele faria se tivesse ouvido. Depois disso eu virei para as minhas amigas, não valia a pena continuar aquilo, ele resmungou alguma coisa e voltou para perto dos outros PMs, que ao procurar os documentos dos meninos não acharam nada (olha só que surpresa), mas mesmo assim murcharam o pneu da moto deles antes de ir embora.

Passar por isso me fez refletir sobre algumas coisas. A primeira delas é que é URGENTE o debate em nossa sociedade sobre Segurança Pública, sobre a Desmilitarização da PM, por que não dá mais para deixar que ações como essas aconteçam. Os policiais militares tem um poder muito grande, são militares, preparados para guerras e não para lidar com civis. Onde já se viu alguém que deveria, em tese, proteger e segurar a sociedade ameaçar uma jovem que está na calçada de sua casa? Precisamos imediatamente de lutar por um novo modelo de sociedade, não dá mais para aguentar o genocídio da juventude negra que as estatísticas já comprovaram, que os policiais militares já não tem pudor de sequer negar, ao contrário, eles gritam na rua, pra quem quiser ouvir: "Estamos limpando a rua para vocês, eles são lixos".

Me desculpe, mas lixo são esses seres que utilizam do poder de fogo para intimidar a população, que acham que pode passar por cima de todos os direitos por que usa uma farda. A Policia Militar hoje em dia, na periferia, não é nada mais do que uma máquina de extermínio e de repressão financiada pelo Estado. Maquina está que deve ser abolida antes que acabe com a nossa sociedade como um todo. Se esse soldado se achou no poder de ameaçar uma jovem, mulher, negra, a claridade do dia no meio da rua, imagina o que ele não faz com um jovem negro, voltando do trabalho a noite sozinho na rua?

Nossa sociedade tem muitos problemas, não estou e acho que devemos generalizar achando que todos os Policiais Militares são como o desse caso, por que conheço muitos que são de bom caráter, que realmente acreditam que sua profissão é de proteger a sociedade, mas existem muitos que pensam como o soldado dessa história, e esses caras me assustam, me assustam por que eles tem arma de fogo, e eu moro na periferia, eles tem o poder do fogo, e os meus estão sendo assassinados. Mesmo os que estão no mundo do crime não merecem ser tratados assim, violência só gera mais violência e a estrutura do Estado é uma das principais causas para que o crime aconteça, o Estado sobrevive disto, lembro do livro Criminologia Radical do Juarez Cirino dos Santos e nunca esse livro fez tanto sentido na minha vida. É o Estado que cria o criminoso e cria condições para que o crime seja reproduzido e perpetuado.

O que mais me deixa tranquila nessa história, é que esse policial nunca iria imaginar que uma jovem, mulher, negra que mora na periferia da Zona Leste de São Paulo iria responde-lo com firmeza e educação, e com argumentos pois estuda Direito, e sabe que abuso de autoridade é crime, sabe que um policial não é Deus que pode tudo. Uma jovem negra e militante, que além das leis, sabe que a policia militar mata sem pensar sem povo e que nunca iria baixar a cabeça para um capanga arrogante do Estado. 

Precisamos de mais jovens formados, mais jovens conscientes de seus direitos, mais jovens negros formados e informados para que esse tipo de abuso não seja tolerado, para que o debate sobre Desmilitarização da PM seja cada vez mais posto em pauta, para que nosso governo tenha uma politica de Segurança Pública de verdade, e não essa politica de extermínio. Onde está a Democracia desse nosso Estado Democrático de Direito?

 O genocídio da juventude negra  deve ser denunciado, o abuso de autoridade dos policiais não devem mais ser tolerados, se o Estado se "alimenta" e sobrevive dessa violência, nós vamos acabar com o Estado.


Tamires Sampaio

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

2013: O Ano das Revoluções!

("Para sonhar um ano novo que mereça este nome, você, meu caro, tem de merecê-lo, tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil, mas tente, experimente, consciente. É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre." 
Carlos Drummond de Andrade)


Eu não ia escrever nada, mas não dá pra deixar um ano como esse passar batido. Prometo que vou tentar ser o mais breve possível haha

2013 foi o ano mais louco da minha vida, o ano de mudanças, de descobertas, de lutas, de novas amizades que se tornaram eternas, de algumas brigas, confusões, foi o ano em que o "Brasil acordou", e o povo (será?) foi pra rua, um ano de muita formação e aprendizado.

Logo no começo do ano já começo a militância no Movimento Estudantil em cadeia nacional participando do Coneb da UNE, lá eu percebi que nosso país é muito grande, que se na zona leste de SP (que é onde eu moro) existe muita pobreza, no interior do nordeste existe mais, que se nas universidades de São Paulo temos muitas deficiências nas bibliotecas, nos materiais, superlotação nas salas e etc, nas faculdades do interior de Minas Gerais sequer bibliotecas existem. Conhecer estudantes cotistas, prounistas, de universidades particulares, públicas estaduais e federais, me fez perceber que temos muito pelo que lutar, que esse governo do PT proporcionou muitas mudanças na vida dos trabalhadores, mas que ainda precisamos de mais mudanças, se conseguimos colocar mais pretos e pretas nas universidades com as cotas, precisamos de garantir a continuidade e bom rendimento desses estudantes por meio de programas de permanência e assistência estudantil.

Voltei a militar no movimento negro, dessa vez como militante ativa e não apenas a menininha que acompanhava a mãe nas reuniões. E isso mudou minha vida, toda minha forma de pensar, me fez questionar todos os meus padrões e desejos e tudo, enfim, o movimento negro fez nascer uma nova Tamires, por que se no ME eu percebi que muito temos que fazer pelos estudantes, no MN eu abri os olhos para perceber o quão racista é nossa sociedade, nossos cidadãos, a mídia, o judiciário, enfim toda a nossa estrutura do Estado, e como é difícil lutar contra uma história de mais de dois terços de escravidão de um país. Com a Frente Pró Cotas encontrei uma meta nessa militância: tirar os pretos e pretas das ruas, das periferias, dos piores empregos, da invisibilidade e coloca-los nas melhores universidades do país, nos espaços de poder, em melhores posições sociais. Ao se deparar com o  PIMESP do Alkimin, que é uma piada pronta e típico de um governo racista que sequer faz questão de camuflar o exterminio da juventude negra que está fazendo, o movimento negro se organizou e impediu que este que é  um programa de inclusão por cotas que excluí o cotista ser sancionado. Fizemos o PL de Cotas de iniciativa popular e estamos com ele nas ruas até hoje para garantir que as universidades estaduais paulistas tenham um programa de cotas que comtemple e inclua xs pretxs nessas, que são consideradas as melhores do estado e do país.

Mais uma luta que passei a abraçar esse ano foi a luta contra opressão de genero. O feminismo sempre foi presente na minha vida, tenho uma mãe maravilhosa, que sempre me mostrou que uma mulher pode fazer tudo o que quiser, que é poderosa e que não precisa de homem nenhuma pra nada, e que nunca devo abaixar minha cabeça, e que sou uma mulher negra, que não deve se deixar levar pelos padrões de beleza eurocentricos que dominam nossa sociedade.  Por isso sempre tive claro em minha vida que a mulher é um ser politico, livre, poderosa e tudo mais, mas infelizmente essa não é a visão de todos, o machismo domina a estrutura de nossa sociedade e as mulheres são sempre subjulgadas, sexualizadas e muito dificilmente conseguem o respeito de seus companheiros. Mas existem muitas mulheres que estão na luta para acabar isso, e muitos homens também, mas essa luta acima de tudo por se tratar da emancipação da mulher, deve ser protagonizada pelas mulheres. Como sempre a questão racial deve ser destacada, principalmente nessa questão pois se a mulher é deslegitimada nos espaços, a mulher negra é totalmente deixada de lado, somos o “outro do outro” e estamos ao contrário de todos os padrões de beleza, e de vida. A mulher negra tem que ser a força em pessoa, senão não aguenta a pressão que sofre, somos para os homens as putas, para as empresas a secretária, para as escolas faculdades as empregadas, na familia doriana somos a doméstica, na politica então, quase não existimos. Por isso é muito importante destacar o feminismo da mulher negra, que não é o mesmo da mulher branca, ou da indigena, pois vivemos e sofremos do machismo de formar diferentes, e essas diferenças devem ser consideradas. Participei do Encontro de Mulheres Estudantes da UNE, onde esses debates foram feitos voltados para a vida das estudantes, participei do Nisia Floresta que é um coletivo feminista do Mackenzie, conheci a MMM, as jovens mulheres do PT, e me tornei a Coordenadora Nacional da PARATODAS, que é um coletivo de mulheres da ParaTod@s, movimento no qual eu milito no Movimento Estudantil.

Todas essas lutas foram feitas com uma estrela carregada no peito, a estrela do PT, o partido que desde o ano passado milito e que muitos anos a frente vou militar pois é o instrumento que tenho para transformar essa sociedade, para emancipar nossas mulheres, empoderar xs negrxs, para erradicar a pobreza, concretizar os sonhos dos trabalhadores e fazer com que o filho do pedreiro vire doutor. 2013 foi um ano dificil para o PT, fomos atacados, nossos dirigentes históricos foram presos, a mídia golpista sempre divulgando os interessas da elite. Mas o nosso partido é forte, por que nossos militantes acreditam em nosso programa e em nossa meta de viver em uma sociedade socialista e democrática.

Mais um ano no Mackenzie, mais um ano sem dp’s haha, ano em que conheci grandes professores, que viraram meus mestres, ano em que participei de  vários debates. Ano em que junto com alguns alunos criamos a Frente Perspectiva, um coletivo de esquerda, que pauta o combate as opressões, coletivo este que fez uma intervenção nos trotes, questionando a violência desses e o machismo pelo qual nossas alunas passam ao passar no vestibular, fico feliz em ver que o que iniciou com essa intervenção passou a ser um coletivo que integra alunos de vários cursos da UPM. Nesse ano também participei de uma mesa de debates sobre a questão racial, promovido pelo CAJMJr, esse foi um momento de grande emoção pra mim, pois estar ali naquela mesa, ao lado do professor Dr Silvio Almeida, presidente do Instituto Luiz Gama, e da Sandra Carvalho que é da secretária de Combate ao Racismo da CUT, foi como um sonho sendo realizado. O Mackenzie mesmo com todas as criticas que possam ter foi a primeira instituição de ensino a ter salas mistas, com homens e mulheres, foi a primeira também a aceitar negros e negras em suas salas de aula, e além disso foi a primeira universidade a ter no comendo da reitoria uma mulher. Temos muitos prounistas, muitas mulheres, o vermelho do nosso logo é um vermelho comuna haha, por isso que visto a camisa e onde for o bando de loucos do Direito Mack vai estar. Por que eu sei que sou uma dentre tantas mackenzistas que estão na luta por uma sociedade melhor, mesmo que seja do modo coxinha mackenzie de ser haha

Mais uma coisa, ao participar das Conferencias de Promoção da Igualdade Racial, me deparei com a religião de matriz africana e sua luta contra o racismo e essa passou a ser também minha luta. Não existe exemplo mais claro de quão racista é nossa sociedade do que a forma como é vista nossa religião. O nosso povo, seja ele jeje, nagô, ketu ou bantu, possuem uma cultura extremamente rica e uma religião fantástica e encantadora. A energia que os orixás nos transmitem são revigorantes e nos dá força para lutar cada vez mais. Eu não conheço muito, só o que li não é nada já que a reliigião você vive e assim aprende, não sei se estou falando bobagens e se estiver desrespeitando peço desculpas. Mas só não podia deixar de citar que eu sei que não estou sozinha nessa luta, que meus orixás estão do meu lado me transmitindo muito axé para enfrentar qualquer adversidade.




2013 foi o ano mais louco da minha vida, amei muito, sorri, chorei, vivi, fiz amigos eternos, ganhei mestres e mestras, muito misterio, saúde, amizades, festas, praia, primeiro ano em que pulei o carnaval la nos blocos de rua do Rio, primeira vez em que andei de avião, primeiro discurso em um trio eletrico, estou num estágio sensacional finalmente,  manifestações, lutas e mais lutas, e muita energia para muito mais. Minha história está traçada, estarei na luta até o fim, sou jovem, mulher, sou negra, da periferia, sou macumbeira, sou maloqueira e o meu nome é Revolução.

Feliz Natal, feliz solsticio de verão, que todos os deuses, orixás, elementais, anjos e espiritos de luz abençõem a sua jornada, a sua familia, e dê forças para as lutas do seu dia-a-dia.

Obrigada a todos vocês que participaram e estiveram do meu lado nesse ano, esse com certeza vai entrar pra história e a gente com certeza vai ter muito o que fazer nesse ano que chega.

VEM, VEM, VEM 2014 VEM!!!




PS: Faltou muita coisa ainda pra falar, mas se eu escrevesse tudo o que foi esse ano pra mim não ia acabar nunca hahaha


Tamires Sampaio

domingo, 8 de setembro de 2013

MULHER COM P


"Mulheres negras são como mantas kavlar, preparadas pela vida para suportar: o machismo, os tiros, o eurocentrismo..."


Passado perverso pesa!
Para Paulas, Priscilas, Patrícias...
Passado, patrimônio particular, papai
Presente, propriedade privada, parceiros
Passando para patrão.
Pátria, patriarcal, pelourinho perpétuo,
Pancadas, panelas, padrões, preconceitos
Pelas paredes, prédios, poses, peitos, posições patéticas
Pelas pontes, pivetes prosseguem pedindo pão
Pelas pistas, patricinhas prosseguem pedindo 
primeira página playboy
Pura palhaçada!
Possuímos pensamentos próprios, personalidades, projetos
Perguntamos pra que perpetuar preconceitos, padrões perversos?
Posso parecer polêmica, porém, privatizaram pessoas, prostituíram pensamentos.
Perua, puta, patroa, pantera, potranca: passatempo!
Palavras pesadas, patrocinadas pelo passado perverso
Porém, prosseguimos protestando...
Pedros, Paulos, Pablos podem participar
Prosseguimos protestando pelo Paquistão, por Porto Alegre e pelo Pirajussara!
Pedindo paz para a pátria, punição pros poderosos, pão pros pequenos, pétalas, poder popular,
Prosseguimos pedindo principalmente...
Poesia pra periferia.


Bruna Ribeiro, Cooperifa

terça-feira, 23 de julho de 2013

Educação e Racismo no Brasil



É impressionante como o racismo está enraizado em nossa sociedade, alguns comportamentos e comentários que nos parece tão comum são muitas vezes carregados de um imenso preconceito direcionado ao povo negro que teve um trágico, para não dizer sangrento, inicio nesse país. Mesmo com a abolição da escravidão o negro não tinha as mesmas oportunidades que os demais grupos da sociedade, muitas vezes tendo que trabalhar o dia inteiro em troca de um prato de comida para sua família sendo que seu acesso à educação era limitado ao básico que necessitava saber para cumprir as tarefas diárias.

Com o passar dos anos muitas lutas foram feitas e o povo negro conquista o direito de ir à escola, pois este era até então, um direito exclusivo das mais altas classes da sociedade. Mesmo com a oportunidade do estudo, muitas vezes por precisar ajudar a manter a casa, por precisar trabalhar na roça, raros eram os que conseguiam sequer terminar o ensino considerado fundamental para a formação do cidadão.

Passado mais de um século após a Abolição da Escravidão pode se perceber a imensa diferença da situação social dos ascendentes dos negros se comparadas aos demais povos que vieram se aventurar nessa terra. Isso se deve a história de formação do país, e de como os valores foram formados por aqui. Vivemos em um país em que cerca de dois terços de sua história está manchado com a escravidão e exploração do negro africano e seus descendentes. Esse dado influencia e explica o porquê da discriminação racial estar tão presente no nosso dia a dia.

A discriminação racial tem reflexos no sistema educacional brasileiro e impacta o acesso e a permanência do negro nas salas de aulas. No País, entre os analfabetos absolutos acima de 15 anos, estão 7,5% dos brancos e 20% de negros (pretos e pardos), de acordo com os dados do Censo 2002, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Quando consideramos o analfabetismo funcional, menos de quatro anos de estudo, 36% da população negra permanece nessa condição, contra o percentual de 20,2% da população branca. O Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb) mostra que, apesar da proximidade no número de matrículas no ensino fundamental para negros e brancos (94,7% para brancos e 92,7% para negros), a evasão escolar é maior entre os alunos negros. Dados do IBGE apontam que, entre os estudantes de Ensino Médio, a quantidade de brancos é quase o dobro da de pretos e pardos (52,4% para 28,2%). No Ensino Superior, os brancos estão cerca de quatro vezes mais presentes que os negros (15,5% contra 3,8%).

Diante desses dados a perplexidade nos persegue, pois ao considerar que somos a segunda maior nação de negros do mundo e que apenas uma parcela pequena termina o Ensino Médio e essa parcela diminui mais ainda quando se trata do Ensino Superior percebemos que temos muito pelo que lutar para reparar a discriminação em nosso país, para que todas e todos tenham acesso a um ensino público de qualidade.
O Movimento Negro no Brasil teve muitas vitórias, mas nossa luta continua e persiste para que nossas escolas e universidades sejam cada vez mais coloridas e que em consequência o povo negro ocupe mais cargos de poder, para que assim a discriminação racial no Brasil esteja cada vez menor e distante.




Lei 10.639 – Conhecendo nossas origens
A forma como o negro e a África foram abordados nas escolas, até então, é apontada por estudiosos como responsável pela evasão escolar de alunos e alunas negros vítimas de racismo no livro didático e, portanto, com dificuldades de valorizar sua própria identidade. Contribuiu, ainda para fortalecer a cultura de intolerância e desigualdade racial que até hoje permeia as relações sociais no país.
Assim, a necessidade da inclusão da temática no currículo oficial vinha sendo discutida há anos por integrantes do movimento negro, no intuito de romper com a visão eurocêntrica repassada nas salas de aula. Mesmo lugar em que ao negro e ao continente africano restavam papeis estereotipados e relegados à inferioridade.

Em janeiro de 2003, após quatro anos de tramitação, foi promulgada a lei 10.639, de autoria da então deputada Esther Grossi. Esta lei inclui no currículo oficial dos estabelecimentos de educação básica, das redes pública e privada, a obrigatoriedade de estudo da temática História e Cultura Afro-brasileira. A promulgação dessa lei é uma vitória para o movimento negro e estudantil, pois grande parte dessa cultura foi perseguida e proibida por muito tempo e até hoje grande parte sofre discriminação. Outro grande motivo de comemoração a essa lei é que a partir dela podemos esperar que os alunos vão aprender realmente sobre a história de nosso país, e assim valorizar mais esse povo que literalmente ajudou a construir o país.
Sua proposição e aprovação é fruto de reivindicações do Movimento Negro (MN) e do Movimento de Mulheres Negras (MMN), que se intensificaram a partir dos anos 70 e culminaram em 1995 com a Marcha Zumbi dos Palmares, quando 30 mil pessoas entregaram ao então presidente Fernando Henrique Cardoso um documento pleiteando políticas para combater a desigualdade racial.

 O desafio agora é fazer valer a lei em todo o território nacional. O Observatório da Educação, programa da ONG Ação Educativa, que tem como objetivo aprimorar o controle social das políticas educacionais, defende a aprovação da Lei como sendo um marco na luta por reconhecimento e valorização da história e cultura afro-brasileira e africana e na afirmação de direitos da comunidade negra do Brasil. Para a ONG, esse reconhecimento implica profundas mudanças de discurso, postura e relações entre cidadãs e cidadãos do país, começando pela desconstrução do mito da democracia racial que ainda existe na sociedade brasileira.

A ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Luiza Bairros,em entrevista para CUT-SP disse que para se ter uma dimensão do impacto da adoção da Lei nas salas de aula, basta imaginar uma criança que tenha entrado na escola em 2003, e hoje, já adolescente, está cursando o ensino médio.

“O que se espera é que os mais jovens, que estão tendo acesso ao conhecimento sobre a História e Cultura Afro-Brasileira, que nenhum de nós de gerações anteriores recebeu, possam contribuir de forma mais efetiva para um Brasil democrático, pautado no respeito à diversidade. Um Brasil que acredite na igualdade racial, porque valoriza suas matrizes africanas; porque reconhece as contribuições da África e de seus descendentes para a formação do país.”



A Cota Racial é Constitucional, decide o STF.
Por unanimidade, o Supremo Tribunal Federal (STF) validou no dia 26 de abril de 2012 a adoção de políticas de reserva de vagas para garantir o acesso de negros e índios a instituições de ensino superior em todo o país. O Tribunal decidiu que as políticas de cotas raciais nas universidades estão de acordo com a Constituição e são necessárias para corrigir o histórico de discriminação racial no Brasil.

Essa decisão foi outra grande vitória, pois com a garantia da Constitucionalidade das Cotas Raciais se perderam praticamente todos os argumentos contra as cotas. O reconhecimento da necessidade de reparação da sociedade para com o povo negro que foi e é discriminado até hoje, e que tem o reflexo dessa discriminação na educação, foi um grande avanço para nossa história.

Após um ano do julgamento vemos que apenas a garantia da constitucionalidade não é o suficiente, temos que incentivar nossos alunos a estudar cada vez mais, ir para a faculdade e ocupar esses espaços que é de direito de todos.


PIMESP: Reprodução de um Governo Racista
No final de 2012, o governo do Estado de São Paulo se vendo pressionado a regularizar as cotas nas Universidades Públicas, lança o Programa de Inclusão Por Mérito, o PIMESP. Tal programa é a concretização da discriminação racial do Estado, um programa que deveria regularizar o acesso do negro nas Universidades Públicas de São Paulo, se mostra nada mais do que um impedimento descarado para esse acesso.

O PIMESP prevê que o aluno cotista deve, ao prestar o vestibular, ter dois anos de aulas a distância em um Instituto Comunitário de Ensino Superior (ICES), o chamado “College”. A principal justificativa do governo estadual para a instituição desse sistema é a de que os estudantes cotistas precisam de “formação sociocultural para exercício da cidadania”.  Como se “formação para cidadania” fosse um conteúdo cobrado em qualquer vestibular.

Em um debate promovido pela da Frente Pró Cotas Raciais o professor Dennis de Oliveira, do Núcleo de Apoio à Pesquisa em Estudos Interdisciplinares sobe o Negro Brasileiro da USP, a proposta do “college” é racista, pois cria duas categorias diferentes de estudantes para as universidades. “A proposta estadual parte do pressuposto de que a população negra e pobre é despreparada para entrar na universidade”, completou.
Pesquisas indicam que o aluno cotista, nas universidades, possui um aproveitamento igual ou maior que o aluno não cotista o que prova que a ideia do governo de que o aluno cotista precisa desse reforço é absurda. O Prof. Silvio Almeida, presidente do Instituto Luiz Gama, diz em seu discurso que “Se está demonstrado que estudantes cotistas, nas análises realizadas em universidades onde cotas foram adotadas têm igual, ou melhor, rendimento acadêmico que estudantes não cotistas, estes é que precisariam de reforço acadêmico, e não o contrário”.

Vemos nesse projeto a reprodução de uma sociedade em que a discriminação racial está tão enraizada que até uma politica de inclusão, como é a das cotas, é deturpada e passa a servir como um modo de afastar o aluno negro das universidades publicas do estado. Pesquisas indicam que o aluno cotista está tão bem quanto o não cotista nas universidades, então pra que server o College senão para mantê-lo afastado da universidade?

A Frente Pró Cotas Raciais, que está na luta pelas cotas a muitos anos, está promovendo uma grande mobilização contra o PIMESP e a na luta por um Projeto de Lei sobre a regulamentação das cotas que tenha a participação do movimento negro, da sociedade civil, ou seja, dos que vão ser diretamente atingidos por esse programa, pois até isso o Governo do Estado de São Paulo resolveu ignorar ao apresentar esse projeto sem a participação o movimento negro, querendo impor o PIMESP para a sociedade civil paulista.




Projeto de Lei de Iniciativa Popular para a Regulamentação das Cotas. Se junte a nós nessa Luta!
A Frente Pró Cotas Raciais compostas por diversos grupos do movimento negro, das entidades estudantis, a Secretária de Combate ao Racismo da CUT-SP, representantes dos professores das universidades publicas de São Paulo, representantes do Movimento Estudantil, entre outros, promoveu diversos debates para a formação de um Projeto de Lei que regulamente as cotas, com a efetiva participação de todos esses representantes mencionados acima, para que essa regulamentação seja realmente legitima e justa.

O Grupo de Trabalho que está responsável pela atualização dos PL’s 530/2004 e 321/2012 foi formado em reunião da Frente, e a partir das reinvindicações feitas pelos representantes de cada entidade formaram o Projeto de Lei de Iniciativa Popular que está esta nas ruas desde a semana passada. Para que o Projeto de Lei seja homologado é preciso de cerca de 160 mil assinaturas, a Frente Pró Cotas está prevendo que até novembro conseguirá cerca de 200 mil.

Participe dessa coleta de assinatura e nos ajude na luta para uma regulamentação das cotas realmente justa e com a participação da massa. Para que as nossas escolas e universidades sejam cada vez mais coloridas, e para que o negro cada vez mais ocupem os cargos e profissões de mais alto escalão. Vamos acabar com essa discriminação existente em nosso país, e com essa proposta do governo que vai aumenta-la mais ainda. As cotas são um Direito, o PIMESP é preconceito!

Tamires Sampaio

domingo, 23 de junho de 2013

"Chega de alegria, por que a PM mata preto e pobre das periferias todo dia"

"Você acordou agora, a periferia nunca dormiu.."


O gigante que acordou na quinta feira, no quarto ato, por ter sido atacado pela PM com bala de borracha, acordou agora mas nem se compara com os que nunca dormiram, por que não tem cama, por que são atacados todos os dias nas periferias de São Paulo e ninguém da atenção. É lamentável saber que em diversas manifestações que ocorreram no centro, as que foram mais violentas foram condenadas por todos, até pela mídia. Mas quando as manifestações acontecem nas periferias, e os policiais matam algum dos manifestantes, muitos se calam, como se calaram a muito tempo, por que a policia militar sempre foi violenta, não foi só nesse quarto ato do MPL, SEMPRE foi violenta nas periferias, nas favelas... SEMPRE foi violenta com os invisíveis, com os pobres e pretos, com as mulheres e crianças.

É muito triste perceber a hipocrisia que impera em nossa sociedade, a classe média não pode tomar bala de borracha em sua pele branca, mas os pobres podem levar chumbo na pele preta que ninguém se meche. Cadê a indignação das pessoas por essas mortes desses três que participaram da manifestação aqui nas periferias? Cadê o gigante que acordou agora indo pras ruas pra protestar contra o extermínio da juventude negra?

Não são só 20 centavos mesmo: São negros e negras que são violentados todos os dias, são pelas pessoas que só por estarem nas periferias já não tem nenhuma expectativa de vida melhor, são pelos 20 centavos que diminuem o acesso ao transporte publico e em consequência a uma vida digna, ao acesso a todo e qualquer serviço seja público ou privado, são 20 centavos a menos na alimentação dessas pessoas que para alguns podem não pesar, mas que para muitos fazem um rombo muito complicado na renda da família. É pela saúde pública que a cada dia está pior, os hospitais super lotados, poucos médicos e dos que estão por terem tanta coisa pra fazer mal olham para os pacientes. É por uma educação pública universal e de qualidade para todas e todos. É por acesso a cultura, ao lazer. É por uma reforma politica que vai ajudar a combater os casos de corrupção. É por uma lei de democratização da mídia que vai impedir que os meios de comunicação sejam controlados por determinadas famílias que por possuir o monopólio da informação desse país, aliena cada vez mais as pessoas...

Enfim, não é só por 20 centavos, é por contra um sistema que explora cada vez mais o trabalhador, um sistema que não se importa com a classe que literalmente carrega esse país nas costas, um sistema que se alimenta da nossa exploração e que vai fazer de tudo para que essa exploração continue para que ele sobreviva. Essa é uma luta contra o sistema Capitalista, é por causa do Capital que todas essas injustiças acontecem, para manter o Capital que o povo é explorado. E é contra ele que nós temos que lutar nas ruas!

"Chega de alegria, por que a PM mata preto e pobre das periferias todo dia..."

Vem pra rua lutar contra algo que realmente faz sentido, vem pra rua sabendo pelo que está lutando. Vem pra rua contra todo tipo de preconceito, contra o Machismo, o Racismo e a Homofobia. Vem pra rua contra o Capitalismo que é o cerne de toda essa exploração...

Tamires Sampaio

quinta-feira, 7 de março de 2013

Que país é esse?

("São milhões de pessoas gritando pelo mundo a fora, contra a alienação da humanidade, se liberte, seja capaz de ver a realidade diante dos seus olhos...")

Parece que a Caixa de Pandora foi aberta nessa semana aqui no Brasil e o Caos está reinando a humanidade. Um ruralista é eleito presidente da Comissão de Meio Ambiente;  um homofóbico, machista e racista eleito presidente da Comissão de Direitos Humanos; os vetos que direcionava os royalties do petróleo para a educação foram derrubados. O que mais falta acontecer para que a sociedade perceba que algo está errado e que precisamos de nos mobilizar imediatamente?

Já está na hora do brasileiro perceber que a eleição não é só um sorteio de números que se escolhe aleatoriamente uma vez a cada dois anos e pronto. Tudo que acontece em nosso país depende das escolhas certas serem feitas nas eleições e enquanto não perceberem isso cada vez mais nosso país tende a sobreviver a base das vontades dos políticos corruptos, que fazem da política o maior jogo de poder do "sistema democrático" representativo.

 Como resultado de uma processo eleitoral alienado tivemos nessa semana algumas fatalidades. A primeira delas foi o Deputado Marco Feliciano, homofóbico e sexista assumido, assumir o cargo de presidente da Comissão de Direitos Humanos. Está claro que essa comissão de "Direitos Humanos" não é nada mais do que  um "cala-boca" para o cidadão brasileiro, algo que só existe de fato no mundo das ideais de Platão, e que na verdade não passa de uma comissão onde os interesses que realmente deveriam ser assistidos são ignorados, e pior, são sufocados por interesses pessoais de representantes de Partidos Políticos que nada mais querem do que se sustentar no poder o máximo possível. Outra nomeação absurda foi a do ruralista, senador Blairo Maggi a presidência da Comissão de Meio Ambiente. O senador é responsável por uma das maiores produções de soja do país, o que com razão, gerou grande insatisfação dos ambientalistas e políticos ligados ao setor ambiental.

Ter esses dois em suas respectivas presidências de comissões é tão absurdo quanto colocar um lobo para cuidar de ovelhas. Como que alguém que renega o direitos das minorias pode comandar a Comissão de Direitos Humanos? Ou um ruralista com uma das maiores produções de soja a Comissão de Meio Ambiente? Eles claramente não representam nem um pouco essas comissões que presidem, e é um absurdo aceitar calado que eles exerçam esses cargos.

Mais um triste acontecimento foi a derrubada dos votos da presidente Dilma em relação aos royalties do Petróleo serem destinados a educação. Esta é a prova maior de que a Educação é algo que não deve chegar ao cidadão de forma ampla e qualificada. Quanto menor é o investimento na educação pior é a sua qualidade e assim, cada vez mais brasileiros alienados são formados, e cada vez mais mentes robóticas e conformadas são geradas na sociedade. Assim a mídia consegue muito facilmente manipular, as pessoas cada vez menos se importam com quem as representa na política e mais absurdos como os dessa semana são reproduzidos na história do País.

Michel Foucault em seu livro "Microfísica do Poder" demonstra em meio aos textos a relação de poder entre centro e periferia, onde o centro seria em tese o "detentor do poder" e  a periferia o que sustenta esse poder do centro. Mas uma analise mais atenta revela que na verdade as periferias que detêm o poder e que se não fosse os meios de intimidação que são usados para reprimi-las o centro não se sustentaria. Está na hora das periferias abrirem os olhos e perceber o quão grande são e que não devem temer ou se abster do poder que possuem.

Enquanto a massa não se organizar para combater essa fachada de sistema representativo, na luta de seus Direitos humanos de fato, na luta por uma sociedade mais justa e igualitária em todos os sentidos, enquanto não perceberem que o poder está na mão do povo nada vai mudar, e cada vez mais e mais corrupção vai aparecer e injustiças sociais se manifestar sem que nada seja feito.

Parafraseando a grande Darcy Ribeiro, percebam que só existem duas opções nesta vida: se resignar e abaixar a cabeça ou se indignar e lutar por seus Direitos. Saiba escolher a opção certa, deixe de ser um "crítico de gabinete" e vá procurar saber o que realmente está acontecendo e sendo encoberto por mentiras da mídia.

Faça valer o artigo 1º da Constituição Federal, paragrafo único: "Todo poder emana do povo". Lute por uma educação de qualidade para que todos possam ter consciência do que está acontecendo. Lute por uma saúde publica de qualidade para que todos tenham uma vida digna e saudável. Lute por uma sociedade justa e igualitária onde todos são tratados com um minimo de respeito e dignidade sem que sua raça, cor de pele, sexo ou opção sexual seja razão de preconceitos.

Este país meu caro, é o Brasil, país onde muitas injustiças aconteceram, mas país também onde dezenas de lutas mostraram que o povo quando se une e se organiza consegue enfrentar qualquer desavença, ou problema. Não há ditadura que segure o brasileiro quando ele quer, não há injustiça que nos cale quando nos unimos. Mostre quem é o detentor do Poder, lute por uma país melhor.

"Eu escolhi não me abster e lutar, e você vai ficar sentado nesse sofá reclamando da vida sem fazer nada por quanto tempo?"

Tamires Sampaio