quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

2015: quem não guenta com a formiga não atiça o formigueiro !

"Para ganhar um ano novo que mereça este nome, você, meu caro, tem de merecê-lo, tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil, mas tente, experimente, consciente. É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre." - Carlos Drummond de Andrade


2015 foi o ano mais doido da minha vida, na realidade todos os últimos anos estão sendo absurdamente malucos, muitas viagens, novas amizades, muitas responsabilidades, muitas experiências fantásticas, muita luta. Cada ano que passa eu tenho a impressão que o seguinte não pode ser mais surpreendente, mas 2015 veio para nos mostrar que realmente tudo é possível.
Comecei o ano em Brasília para assistir a posse do segundo mandato da presidenta Dilma, momento muito emocionante compartilhado com gente do país todo, teve muito sol, teve discurso bonito, teve beijinhos pra gente, teve show da Ellén Oléria, e teve eu e minha mãe juntas nessa loucura toda.
No movimento estudantil muita coisa aconteceu, a gestão do CAJMJr teve ainda 5 meses de muitas palestras, eventos, viagem jurídica pra Brasília, teve nota de repúdio, teve boleto fraudado, teve BO, teve brigas, risadas, vitórias e acima de tudo teve muita Catarse hahaha. Eu acabei não fazendo um texto no final da gestão, mas agradeço aqui a todos os diretores que compartilharam os momentos mais intensos e complicados juntos, aos colaboradores que construíram a gestão junto com a gente, seja a Frente Perspectiva onde tudo se iniciou, seja na Catarse onde a vitória se concretizou, ou na Roda Viva que revoluciona o Mack tbm. O AfroMack que a cada dia cria mais corpo, mais força, mais união, e proporciona para nós estudantes negros a sensação de que esse também é o nosso lugar e que nada irá nos tirar esse direito.
Se no movimento de base teve muita coisa, imagine no movimento nacional, com a PARATODXS viajei o Brasil todo na luta por uma educação de qualidade para todas e todos, construindo uma universidade com a cara da classe trabalhadora e das diversas juventudes que existem em nosso país. Teve Bienal da UNE no RJ, EME da UNE no Paraná, ENUNE na Bahia, CONEG em São Paulo e finalmente o CONUNE em Goiânia, CONUNE este que me elegeu 2ª Vice Presidenta da UNE, e que abriu as portas para uma nova jornada na minha vida, a de dirigir o coletivo PARATODXS em todo o país, e ajudar a organizar essa juventude que constrói um novo Brasil. A PARATODAS se fortalece cada vez mais, hoje temos 5 mulheres de luta, espalhadas pelas regiões desse nosso Brasil que dirigem o nosso coletivo, além de muitas mulheres de luta que organizam e dirigem a PARATODXS em seus estados, universidades e escolas. Afinal, o feminismo será para todas ou não será.
Além disso, os estudantes secundaristas mostraram que essa geração vai dar muito trabalho pra direita conservadora e pra quem quer retirar os nossos direitos. Ocupando as escolas de São Paulo e de Goiás, mostraram que não só o futuro pertence a juventude, mas o presente também deve e será escrito por nós.
No movimento negro muita luta aconteceu, acontece e continuará acontecendo até que nossa sociedade acabe sua estrutura racista, classista e patriarcal. Sabemos que o combate as opressões deve ser interseccionado, pois o combate ao racismo e ao machismo nada mais é do que a luta por uma nova sociedade. Foi um ano de vitórias, a CPI da Violência contra os Jovens Negros reconheceu o genocídio da população negra, cada vez mais concursos públicos estão adotando as cotas, a beleza negra está cada vez mais em destaque; mas também foi um ano em que o genocídio persiste, a violência policial aumenta, e o racismo se escancara cada vez mais, nas ruas, nas empresas e nos banheiros das universidades. Mas a juventude negra resiste, e está cada vez mais ocupando espaços, se organizando e com o pé no peito conquistando e construindo um futuro melhor.
A minha vida profissional também teve mudanças, sai da SMPIR, onde estagiei por quase 2 anos e pude aprender um pouco mais sobre a burocracia interna da prefeitura e as secretarias, e entrei na Iniciativa África do IL, e aprendi tanta coisa sobre o continente africano, mas sei que ainda tenho muito a aprender, a Equipe Burundi eu só tenho a agradecer por ter a oportunidade de aprender e construir tanta coisa junto com pessoas maravilhosas. Melhor chefe, melhores companheiras e companheiros de trabalho.
No Partido dos Trabalhadores acredito que esse foi um ano caótico e decisivo em diversos sentido, a luta pela Democracia e a defesa do mandato da Dilma contra o golpe da direita através do impeachment nos trouxe um conjuntura absurdamente defensiva. 2015 foi o ano que tivemos que ocupar as ruas em defesa de um mandato democraticamente eleito, ocupar o congresso contra a redução da maioridade penal, o PL da terceirização e o estatuto da família, apanhamos da polícia nas ruas em todas essas lutas que visa nada mais nada menos que a construção de uma sociedade mais justa, democrática para todas e todos. Teve congresso do PT, congresso da JPT, congresso da CUT, encontros, reuniões, debates, brigas e resoluções que eu espero que em 2016 resultem em mais coerência com a história e com tudo o que o partido representa, principalmente na construção de um novo Brasil.
Em 2015 surgiu o Nós e espero que em 2016 a gente consiga consolidar esse coletivo e juntas e juntos debater, construir, lutar e sorrir nessa nossa eterna luta por uma nova sociedade com nossa cara, de jovens mulheres, negrxs, indígenas, LGBTs, trabalhadores e da periferia.
Esse foi mais um ano fantástico, em que viajei todos as regiões desse país, em que constatei que o Acre realmente existe, em que conheci as Cataratas do Iguaçu, ano do lançamento da Frente Brasil Popular e da Frente Povo sem Medo, ano em que percebi que só com a unidade na luta que nós iremos vencer, em que amei, chorei, sorri, fiz novas amizades, ganhei novos companheiros de luta, um ano com muitas vitórias e aprendizado, um ano que mais uma vez me mostrou que tudo é possível e que a gente que constrói o nosso presente e que o futuro é logo ali.
Em 2015 se no inicio a gente falava de um avanço do conservadorismo, no final a gente aprendeu que só com a unidade dos movimentos sociais, e com o protagonismo das juventudes, dos negros, das mulheres e lgbts que iremos avançar e conquistar mais direitos. A direita atiçou o formigueiro esse ano, e viu que não existe poder maior que o da classe trabalhadora e dos movimentos sociais (sejam os tradicionais ou os mais recentes) quando se unem e ocupam as ruas !
Que 2016 traga mais vitórias, mais amizades, mais companheiras e companheiros, mais força, mais amor, mais união dos movimentos sociais, mais luta, mais manifestações e mais coerência do governo na realização desse nosso projeto. Que os movimentos sociais avancem na luta contra o racismo, o machismo, lgbtfobia e o classismo. Que a juventude ocupe cada vez mais os espaços que lhe pertencem e aprenda que o futuro é o que fazemos hoje e agora. Que Iansã traga com seus ventos boas novas e boas energias, que Oxalá nos proteja nesse ano que será regido por ele. Que eu me surpreenda mais, aprenda mais e possa continuar construindo um novo Brasil junto dos meus companheiros e companheiras de luta. Que a juventude negra viva, resista e conquiste. Que nesse ano mais negras e negros ultrapassem a linha e conquista o mundo.
Esse foi o ano em que descobri que sou filha de Iansã e Oxossi, e que não é preciso alarde para quem sabe, no íntimo, ter as forças das tempestades e a profundeza das raízes da floresta.
A partir da meia noite do dia 1º de janeiro de 2016, um novo capitulo se inicia, um novo livro é aberto, novas portas e janelas são encontradas e novos caminhos teremos para explorar, faça com que esse ano que se inicia seja o melhor e mais maluco de todos, viva intensamente cada minuto desses 366 dias que vem pela frente !
Feliz 2016 ! Axé !


Tamires Sampaio

segunda-feira, 9 de março de 2015

O que realmente está em jogo: A Petrobrás é Nossa!




A democracia brasileira passa por um momento extremamente delicado, os meios de comunicação se mostram cada vez mais como disseminadores de desinformação e nossa população a cada dia que passa é inundada por um discurso de ódio,  conservadorismo e alienação. Esse discurso manipula todos a acreditar em falácias enquanto o que realmente está acontecendo é escondido e maquiado do que se tornou o principal problema de nosso país: a corrupção.

Não que isso não seja um crime a ser combatido, muito pelo contrário, precisamos sim discutir a corrupção em nosso país, mas precisamos debater sobre quem são os corruptores e a quem a corrupção realmente serve. Não podemos nos deixar cair nessa lógica de que corrupção é um fim em si mesmo e que não existe toda uma lógica de estrutura econômica da nossa sociedade que reproduz e sobrevive desses desvios.

Estamos prestes a perder a maior, e talvez mais importante empresa de nosso país, a Petrobrás, e parece que não estão percebendo que isso significa em curto prazo a perda de milhares de empregos e a quebra da economia do país. Não percebem pois os meios de comunicação, que são dominados pelos barões da mídia, servem para desinformar e manipular as massas para os interesses desses poucos que dominam a mídia.

Sabe essa história de Lava Jato e essa caça as bruxas que estão fazendo com alguns partidos? Então, tudo isso é na verdade uma máscara pra esconder o que realmente importa: abrir o capital da Petrobrás para o marcado internacional.

Toda empresa, principalmente as ligadas ao poder público, fazem um balanço, um especie de prestação de contas de tudo que entra e sai, dos investimentos e etc. Com essa série de denuncias sobre pagamentos de propinas, lavagem e desvio de dinheiro, foi contratada uma empresa para fazer uma auditoria dos balanços dos últimos anos da Petrobrás.

Acontece que essa empresa é norte americana, e que essa auditoria faz a empresa ter acesso a absolutamente todos os dados da Petrobrás, inclusive nossas pesquisas, dados, segredos sobre nossa tecnologia de extração em águas profundas, mapa dos poços do pré sal e muito mais, todas essas informações estão nesse exato momento sendo coletadas por uma empresa norte americana. 

Não por acaso, se o balanço da Petrobrás não for aprovado, imediatamente esta passa a ter uma divida de mais de 100bi, pois como se trata de empresa pública, todos os investimentos deverão ser pago na hora caso haja alguma irregularidade, o que fará com que a Petrobrás quebre e seja obrigada a abrir ações para o Capital Financeiro Internacional e com isso acabar com milhares de empregos, e junto disso acabar com qualquer possibilidade,  a curto prazo, de maior autonomia financeira de nosso país.

Entenderam o que realmente está em jogo? Querem que você pense que o fim da corrupção se dará com a venda das ações da Petrobrás, que na realidade significa a quebra da economia de nosso país e estão conseguindo com esse discuso sobre corrupção e a Lava Jato.

Estamos vivendo um momento de criminalização da esquerda e dos movimentos sociais, há uma inegável ascensão do conservadorismo na sociedade brasileira e se os movimentos e partidos de esquerda não se organizarem e ocuparem todos os espaços que historicamente foram ocupados por eles, as consequências poderão ser irreversíveis.

A disputa politica da sociedade se dá no dia a dia, não só em momentos de eleição, mas em todo o processo anterior e pós o sufrágio, não estamos falando de defesa de um governo ou de um partido, atualmente no Brasil o que está em jogo é a Democracia, e isso atinge a todos nós. Por isso precisamos ocupar as ruas e mostrar que quem mobiliza e quem é de luta é a esquerda brasileira e que com a força da nossa base nas ruas não deixaremos golpista nenhum passar.

O gigante acordou em junho de 2013 e está se mostrando cada vez mais forte, resta saber quando os que disseram que nunca dormiram vão entrar de cara nessa disputa pelos corações e mentes do povo brasileiro.

Vamos pra rua! A Petrobrás é nossa!



Tamires Sampaio.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

MANIFESTO AFROMACK

“A liberdade jamais e dada pelo opressor ela tem que ser conquistada pelo oprimido.” 
MARTIN LUTHER KING


Nesse mês da consciência negra ressurge AFROMACK, coletivo de pretas e pretos do Mackenzie, Aqui estudamos, trabalhamos, lecionamos, e antes de tudo resistimos. 

Temos em mente que não se pode pensar em relações sociais no Brasil, sem se considerar o racismo, pois os mais de 300 anos de tortura sobre nosso povo se estruturaram, e hoje se mostra institucional em nossa sociedade, se naturaliza e se transforma em norma. 

Resistimos a essa história de nossa sociedade racista, que nos inclui de forma perversa, nos escondendo, nos invisibilizando, essa sociedade que não nos representa e nos mata.

Nossa resistência se levanta contra a opressão que vem da sociedade estruturalmente racista, que faz com que seja normal uma sala com 80 alunos ter apenas 2 negros ou nenhum e não seja questionado, que em seu quadro docente as possibilidades de encontrar um professor negro são praticamente nulas.

Resistência essa que se ergue às aulas que não contemplam as questões mais caras aos negros, na qual quando suscitadas são tratadas a parte do curso sendo muitas vezes conversas sussurradas no corredor.

Aos que lutaram antes o desafio era desmascarar os mitos que escondiam as contradições de ser negro em uma sociedade de brancos. Quando os negros se erguiam o discurso da democracia racial era aclamado. Afinal todos éramos iguais e não havia necessidade de fazer nenhum levante.

Hoje lutamos resgatando a história de lutas e vitórias políticas que desmascarou o mito da democracia racial e estamos dispostos a encarar o racismo em sua face desmascarada dos mitos de que somos todos iguais. Essa nova face do racismo revela a sua forma mais violenta: o racista em sua forma plena, com suas estruturas e privilégios.

Resistimos e aqui estamos, mas sabemos que a maioria de nós ainda está na fila dos hospitais esperando a sorte, na mira da polícia correndo da morte, na fila dos desempregados esperando as migalhas, na cela dos presídios esperando a liberdade, na mídia de massa que reforça o quanto ainda somos colônia. Sabemos que tudo isso combinado ainda causa o genocídio do povo negro no Brasil.

Aqui representamos futuros advogados, psicólogos, jornalistas, professores, publicitários, administradores, empresários, políticos, cientistas, filósofos, enfim, todo um conjunto de profissionais produtores e reprodutores materiais e simbólicos negros, mas sabemos que fora dos muros da universidade a totalidade do nosso povo não tem acesso a esses produtos e espaços e a nossa tarefa é transformar essa exclusão histórica e estrutural para que esses muros que nos cercam desabem e que toda população negra tenham a mesma possibilidade de acessar esses produtos e símbolos tão necessários para nosso tempo.

Somos negros dos mais variados cantos da cidade
Com os mais diversos sonhos que nos permite a idade
Somos desde já psicólogos, advogados, publicitários, professores...
Somos esperança de algo que nunca tinha chego antes
Somos minoria mas com a força de maioria
Nos reunimos para mostrar a que viemos
Somos filhos de Zumbi e Dandara com a força de Ganga Zumba
E as certezas de Madiba
Somos afro de identidade forte
Somos Mackenzie como um sonho realizado
Somos os orixás sincretizados em nossa cultura
Somos fé, identidade, negritude, certezas e utopias
Tudo reunido dentro de cada um
E por ser um somos todos
E por ser todos somos coletivo.
É nós por nós e se não for assim não funciona!



AFROMACK!