“A liberdade jamais e dada pelo opressor ela tem que ser conquistada pelo oprimido.”
MARTIN LUTHER KING
Nesse mês da consciência negra ressurge AFROMACK, coletivo de pretas e pretos do Mackenzie, Aqui estudamos, trabalhamos, lecionamos, e antes de tudo resistimos.
Temos em mente que não se pode pensar em relações sociais no Brasil, sem se considerar o racismo, pois os mais de 300 anos de tortura sobre nosso povo se estruturaram, e hoje se mostra institucional em nossa sociedade, se naturaliza e se transforma em norma.
Resistimos a essa história de nossa sociedade racista, que nos inclui de forma perversa, nos escondendo, nos invisibilizando, essa sociedade que não nos representa e nos mata.
Nossa resistência se levanta contra a opressão que vem da sociedade estruturalmente racista, que faz com que seja normal uma sala com 80 alunos ter apenas 2 negros ou nenhum e não seja questionado, que em seu quadro docente as possibilidades de encontrar um professor negro são praticamente nulas.
Resistência essa que se ergue às aulas que não contemplam as questões mais caras aos negros, na qual quando suscitadas são tratadas a parte do curso sendo muitas vezes conversas sussurradas no corredor.
Aos que lutaram antes o desafio era desmascarar os mitos que escondiam as contradições de ser negro em uma sociedade de brancos. Quando os negros se erguiam o discurso da democracia racial era aclamado. Afinal todos éramos iguais e não havia necessidade de fazer nenhum levante.
Hoje lutamos resgatando a história de lutas e vitórias políticas que desmascarou o mito da democracia racial e estamos dispostos a encarar o racismo em sua face desmascarada dos mitos de que somos todos iguais. Essa nova face do racismo revela a sua forma mais violenta: o racista em sua forma plena, com suas estruturas e privilégios.
Resistimos e aqui estamos, mas sabemos que a maioria de nós ainda está na fila dos hospitais esperando a sorte, na mira da polícia correndo da morte, na fila dos desempregados esperando as migalhas, na cela dos presídios esperando a liberdade, na mídia de massa que reforça o quanto ainda somos colônia. Sabemos que tudo isso combinado ainda causa o genocídio do povo negro no Brasil.
Aqui representamos futuros advogados, psicólogos, jornalistas, professores, publicitários, administradores, empresários, políticos, cientistas, filósofos, enfim, todo um conjunto de profissionais produtores e reprodutores materiais e simbólicos negros, mas sabemos que fora dos muros da universidade a totalidade do nosso povo não tem acesso a esses produtos e espaços e a nossa tarefa é transformar essa exclusão histórica e estrutural para que esses muros que nos cercam desabem e que toda população negra tenham a mesma possibilidade de acessar esses produtos e símbolos tão necessários para nosso tempo.
Somos negros dos mais variados cantos da cidade
Com os mais diversos sonhos que nos permite a idade
Somos desde já psicólogos, advogados, publicitários, professores...
Somos esperança de algo que nunca tinha chego antes
Somos minoria mas com a força de maioria
Nos reunimos para mostrar a que viemos
Somos filhos de Zumbi e Dandara com a força de Ganga Zumba
E as certezas de Madiba
Somos afro de identidade forte
Somos Mackenzie como um sonho realizado
Somos os orixás sincretizados em nossa cultura
Somos fé, identidade, negritude, certezas e utopias
Tudo reunido dentro de cada um
E por ser um somos todos
E por ser todos somos coletivo.
É nós por nós e se não for assim não funciona!
AFROMACK!

