segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Liberte-se do Sistema




"A Felicidade é uma prisão, Evey. A Felicidade é a mais insidiosa das prisões.
Seu amante vivia numa penitenciária em que todos nós nascemos, e era forçado a varrer os dejeitos do mundo para viver.
Por fim, um dos outros internos esfaqueou-o com uma espada e ele se afogou no próprio sangue.
É isso Evey?
ESSA FELICIDADE VALE MAIS DO QUE A LIBERDADE?

Não é uma história incomum Evey. Muitos condenados tem fins miseráveis.
Sua mãe, seu pai, seu amante.
 Um por um, levados para trás do depósito de produtos químicos e... Fuzilados.
Todos condenados, curvados e deformados pela pequenez de suas celas, o peso de suas correntes, a injustiças de suas sentenças.
Eu não pus você numa prisão Evey. Apenas Mostrei as Grades.
Você está numa prisão, Evey. Nasceu numa prisão.
Esteve numa prisão por tanto tempo que já nem acredita que há um mundo lá fora...
Isso por que tem Medo, Evey. Você tem medo por que pode sentir a Liberdade se aproximando.
Está com Medo por que a Liberdade é Aterradora...

Não fuja Evey. Parte de você compreende a verdade, embora finja não ver.
Mulher, este é o momento mais importante da sua vida. NÃO FUJA DELE.
Bom. Você está quase lá. Se aproxime. Sinta a forma.
Sua mãe morreu. Levaram seu pai. Há uma garotinha Evey, ela está gritando...
Você estava numa cela, Evey.
Eles lhe ofereceram uma opção entre a morte de seus princípios e a morte de seu corpo.
Você disse que preferiria morrer. Você encarrou a morte, estava calma... Serena.
Tente sentir agora o que sentiu então...
A porta da prisão esta aberta, Evey.
O que você sente agora é o vento de fora.
NÃO TENHA MEDO."

V de Vingança

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Por Que Cantamos




Se cada hora vem com sua morte
se o tempo é um covil de ladrões
os ares já não são tão bons ares
e a vida é nada mais que um alvo móvel

você perguntará por que cantamos

se nossos bravos ficam sem abraço
a pátria está morrendo de tristeza
e o coração do homem se fez cacos 
antes mesmo de explodir a vergonha

você perguntará por que cantamos

se estamos longe como um horizonte
se lá ficaram as árvores e céu
se cada noite é sempre alguma ausência
e cada despertar um desencontro

você perguntará por que cantamos

cantamos porque o rio esta soando
e quando soa o rio / soa o rio
cantamos porque o cruel não tem nome
embora tenha nome seu destino

cantamos pela infância e porque tudo
e porque algum futuro e porque o povo
cantamos porque os sobreviventes
e nossos mortos querem que cantemos

cantamos porque o grito só não basta
e já não basta o pranto nem a raiva
cantamos porque cremos nessa gente
e porque venceremos a derrota

cantamos porque o sol nos reconhece
e porque o campo cheira a primavera
e porque nesse talo e lá no fruto
cada pergunta tem a sua resposta

cantamos porque chove sobre o sulco
e somos militantes desta vida
e porque não podemos nem queremos
deixar que a canção se torne cinzas.

Mario Benedetti

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

O Analfabeto Político, o Voto Nulo e a Democracia...

"O pior analfabeto é o analfabeto político..." Bertold Brecht

Existem na história vários momentos de luta por uma sociedade mais justa, pela maior participação do cidadão nas decisões politicas do Estado, quem lê sobre isso tem orgulho de ver ancestrais tão combativos, lutando por seus ideais, luta esta que é direcionada para que hoje o cidadão tenha uma vida mais digna que a deles. Lutas contra o Absolutismo do monarca, a favor de "Igualdade, Liberdade e Fraternidade", lutas contra a Ditadura, a favor da Democracia, entre tantas outras que ocorreram com o passar dos séculos. 

Com muito suor o homem conquistou o Direito ao voto direto, com mais suor ainda a mulher também, porém hoje em dia, esse direito é como se fosse mercadoria, é vendido é comprado, é objeto de descaso de muito cidadão que se acha o inteligente, que tem orgulho de dizer que odeia politica, quando na verdade ao dizer isso e ao tratar as eleições com descaso, ele e muita gente faz com que nasça os políticos corruptos, e assim leva a realidade brasileira a esse caos social em que vivemos. 

Hoje os cidadãos foram consumidos pelo consumo, estão cegos pelo brilho da TV, e isso é exatamente o que os políticos corruptos querem, para que continuem no poder, ganhando montões de grana as custas da sociedade. E o pior é que eles conseguiram convencer que por isso o cidadão não deve se importar com Política, quando na verdade é exatamente o contrário, se eles existem a culpa é completamente da sociedade, e a unica forma deles desaparecerem é o Analfabeto Politico deixar de existir.  

Outra coisa que deve ser esclarecida é que o Voto Nulo, que vem de votar nulo, não anula eleição nenhuma, o que anula a eleição é um voto que é determinado Nulo pelo juiz. Ou seja, você que quer votar nulo, achando que vai anular a eleição e trocar todos os candidatos esta sendo enganado. A unica coisa que acontece ao votar nulo é a diminuição do Coeficiente Eleitoral, e isso faz com que os políticos sejam eleitos com um menor numero de votos. Ou seja, ao invés de protesto, você na verdade está ajudando o politico corrupto a se eleger, pois os analfabetos políticos votam nele e você faz com que o numero de votos que ele precise seja menor. 

Foram tantas lutas, tanto sangue derramado, para que hoje a população não se importe com os Direitos que possuem. Para que hoje a população venda seu voto para o politico que lhe dá uma bala na rua na época de eleição. Não se acomode com essa situação, não desperdice o direito que possui por bobagem, faça jus as "Diretas já" e vote consciente. 

O único modo de ter uma sociedade melhor e mais justa, é lutar por essa sociedade. A única forma de lutar por essa sociedade é acordar e se informar. Temos acesso a todo e qualquer tipo de informação sobre os candidatos, pesquise, veja as propostas de cada um, exija candidatos ficha limpa e fique com sua consciência tranquila por ter votado no político certo. 

E mais importante, tenha em mente que a eleição é só uma peça do jogo, e só marca o inicio de um novo mandato. Pesquise o que seus candidatos estão fazendo após serem eleitos, se eles estão cumprindo com suas obrigações, se não estiverem cobre, eles estão lá por que você deu seu voto a eles, estão lá para lhe representar.

Não desperdice seu direito, torne realmente democrático nosso Estado Democrático de Direito. Pesquise, se informe, vote consciente. Dia 7 de outubro vá as urnas e faça seu papel, vote em quem merece e lembre-se: eles são nossos representantes, estão lá graças a nós, e devem trabalhar para o nosso bem estar. Eles espelham nossa sociedade, se são corruptos são por que nós deixamos que isso acontece-se. Não se acomode com pouca coisa, não acredite no que vê nas mídias, vá as ruas e mostre que está vivo, mostre que você pensa, mostre que quer um lugar mais justo, mais digno e humano. Não espere perder totalmente seu direito de ação, para perceber que algo está muito errado e que deve ser mudado. 

Cidadãos de todo o Brasil, uni-vos!!!  

Tamires G.

domingo, 26 de agosto de 2012

A HISTÓRIA QUE O BRASIL NÃO CONTOU







Pouco me ensinaram a escola e a sociedade sobre minha verdadeira história.
Sobre minhas raízes, realidade.
Ao me falarem da escravidão ressaltaram o poder dos nobres e a submissão do negro.
Falaram-me das correntes, do tronco, da chibata e dos porões...
Não me falaram da resistência, das lutas, da organização.
Deixaram margem para que eu pensasse que o negro era um idiota, que aceitava tudo calado.

Ao me falarem das plantações de café, dos canaviais, das minas e dos casarões, não me falaram da sua força, da sua inteligência, da sua capacidade de fazer um país com a força de seus braços.

Chegaram a afirmar que o negro era preguiçoso. Só trabalhava para não apanhar.

Ao me falarem de sua identidade, contaram-me que eles chegavam aos montes, em navios negreiros,
Marcados a ferro como animais. Vendidos em feiras como mercadorias.
Não me falaram que o negro tinha alma, sangue, raízes.

Ao me falarem da sua fé, diziam apenas que eram supersticiosos, feiticeiros, cultuadores de Deuses pagãos.
Não me falaram de sua religião, de sua fidelidade a um Deus vivo, cultuado com danças, cantos, gestos e rituais.
Não me falaram da alegria do negro ante o reconhecimento, que podiam contar com o senhor de todas as histórias.

Ao me falarem da beleza, definiram-na assim: ter traços finos, cabelos lisos e pele clara era ser bonito.
Ter traços fortes, cabelos crespos e pele escura era ser feio.
Não me falaram que o negro tem seu cheiro, sua característica.
Sua ginga, um olhar, um brilho especial.

Que o negro cabeça erguida, encanta,. Que o negro é lindo!

Ao me falarem da sua cultura... Aí, eu tenho vontade de chorar!
Nada falaram.
Fizeram-me pensar que o negro era uma folha atirada ao vento.
Não me falaram que o negro tem um sangue diferente. Sangue quente, nobre, forte e bonito
O regente de seu corpo, de sua cultura. Uma energia que enobrece sua arte.

Que faz vibrar.

Que faz cantar.

Que faz dançar.

Que faz surgir sons especiais dos objetos simples e banais.

Falaram-me muito da Princesa Isabel.
Pouco, ou nada, de Zumbi dos Palmares.

Fizeram-me sentir tristeza por ser negra.
Fizeram-me sentir vergonha por ser negra.

Em meu corpo moreno, mulato, pardo, existe a pigmentação que define minha origem,
Em minha alma vibrante, meu espírito silencioso.
Em minhas veias vigorosas, corre o sangue dos meus ancestrais.

Sangue africano.

Sangue baiano.

Sangue negro.

Sangue mineiro.

A pigmentação que define a minha raça!

AXÉ!


Autora - Cida Araújo (Do livro - Paralelos sociais)
www.Cidaaraujo2007poetisa.blogspot.com

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Só você pode mudar isso



"A história da sociedade até aos nossos dias é a história da luta de classes" - Karl Marx

Em uma entrevista para a TV Folha, no começo do ano, o empresário Naji Nahas teve a infâmia de falar que “Tem a maior simpatia por quem não tem casa”. Como pode um ser que solicitou a desapropriação do Pinheirinho (que causou danos para milhares de pessoas) dizer uma coisa dessas?

O caso Pinheirinho, um ato tão sujo do governo brasileiro, tão inconstitucional da justiça do país, está sendo deixado de lado, como se estivesse tudo certo agora, só por que não se ouve mais falar sobre as famílias que foram desumanamente despejadas na Mídia, e ainda por cima é motivo de piada. Por que só pode ser piada uma afirmação dessas, vindo dele que é uma das razões para que as famílias do Pinheirinho estejam sem casa.

Esse caso está longe de chegar ao fim, milhares de famílias ainda estão sem ter onde morar e perderam todos seus bens, foram espancados, maltratados e escorraçados a favor de uma pessoa, 2 mil policias militares que deveriam protege-los foram colocados à disposição de um trabalho desumano por causa de uma pessoa. Desde quando policiais militares servem a um empresário? No que estava pensando, ou melhor, o que ganhou o governador de São Paulo quando colocou os 2 mil policiais contra os moradores do Pinheirinho? E da onde a juíza tirou que o interesse Particular é mais importante que o Público? Essas são perguntas que não querem calar, que revelam respostas mais sujas a cada dia.

Naji Nahas veio para o Brasil em 1969, sua chegada no país já foi envolvida em uma confusão onde o avião em que estava foi seqüestrado por um militante da causa palestina e por ser o único que falava a árabe virou o interprete do seqüestrador, 15 minutos de fama que foram sucedidos por varias polemicas no país. Com um grande poder econômico, Najas passa a possuir diversos bens, entre eles ações que mais tarde o envolveria em problemas judiciais que inclusive o fez ficar foragido por um tempo.

Em meio a problemas com a Bolsa o MP decretou a massa falida da Selecta, uma das empresas de Nahas. O Pinheirinho fazia parte dessa massa falida, mas por estar abandonado a muito tempo foi ocupado por famílias que faziam parte do MST. Logo que ocorreu a ocupação, foi feita a distribuição de uma ação para a reintegração de posse do terreno, mas as famílias por não terem para onde ir, resistiram e continuaram no Pinheirinho. Com o passar dos anos e a ação em andamento o Pinheirinho foi se urbanizando cada vez mais: mais famílias ocuparam, igrejas foram construídas, comércios, coisas básicas como água, luz, foram instaladas e as famílias encontraram um lar naquele terreno. Em 2006 o juiz Dr. Luiz Beethoven assinou um despacho decretando que a Massa Falida estava finda, ou seja, o Pinheirinho passa a ser um terreno exclusivamente do sr Naji Nahas. A ação de reintegração de posse continuou, a juíza Marcia Faria Mathey Loureiro, da 6ª Vara Cível de São José dos Campos decretou a reintegração, com alguns recursos foi dado um tempo para que os moradores desocupassem o terreno.

Para onde você iria se não tivesse lugar para ir? Aquelas famílias estavam lá há anos, tinham igrejas, comércios, imóveis e móveis, bens, animais de estimação, uma historia. Depois de tanto tempo, para eles, aquela era sua casa, seu terreno, mesmo com a ação em andamento, mesmo sendo fruto de uma ocupação tecnicamente ilícita. Quem de vocês sairia da casa no lugar deles? Quando não se tem nada além do que está naquele lugar? Quando toda uma vida foi construída por lá? Nós lutamos por nossos direitos, por nossa família e por isso os moradores resistiram, bateram o pé, montaram sua resistência e ingenuamente acharam que com pedaços de madeira e um escudo de barril eles venceriam a força armada policial. De certa forma, a simbologia da resistência, quanto mais inocente mais toca, e quanto mais toca na consciência das pessoas mais leva a outros grupos se juntarem a força que resiste.

No dia 22 de janeiro de 2012, em meio à madrugada o Pinheirinho foi invadido por dois mil policias militares, em meio a violência, estupro, insensibilidade, frieza, e desprezo os moradores do Pinheirinho foram surpreendidos e escorraçados de suas casas. Crianças, idosos, homens e mulheres, tirados de suas casas de surpresa, de uma forma desumana. Os moradores acreditaram na Justiça, que disse que eles tinham um tempo para sair do terreno. Dormiram tranqüilos, para com uma invasão violenta e sorrateira serem expulsos de seus lares.

A mídia mostrou o caso de forma errônea e sistematizada, como a massa falida não existe mais, não há o que ser pago como eles informavam. O único dono, a única pessoa que “saia perdendo” era Nahas, que não podia usufruir o terreno que estava abandonado há tempos. Como o governador explica que a serviço de uma pessoa, dois mil policiais participassem de um ato tão absurdo? O que o governo ganhou com isso? Será que a juíza que decretou a reintegração de posse não foi ludibriada de certa forma também? A dignidade humana e o direito a moradia são direitos fundamentais do brasileiro. Agora a vontade de uma pessoa pode passar por cima do que está na Constituição Federal?

Carlos Lungarzo, da Anistia Internacional, montou uma Petição Publica on-line que será enviada ao Tribunal Penal Internacional exigindo que sejam julgadas as pessoas que ele mostra como sendo principais culpados pela atrocidade que acorreu na reintegração do Pinheirinho. Ele alega que como o governo paulista nem o federal estão tomando providencias a justiça internacional deve interferir no assunto no sentido de apuração das responsabilidades e punição dos crimes. Lungarzo comenta que “o indiciamento e acusação dos culpados, mesmo se não puderem ser detidos, servirá de estímulo para que outros setores populares não se deixassem arrasar, humilhar, balear, estuprar, queimar e, eventualmente… matar”.

O procurador do Estado de São Paulo Márcio Sotelo Felippe após pesquisas sobre o processo deixou bem claro que não existe massa falida, que o terreno é puro e simplesmente do Nahas. Não existe, sequer, crédito trabalhista, como foi divulgado na mídia. E em um depoimento ele resume brilhantemente o que está acontecendo:

“Este caso há de ser um momento de inflexão da fascistização do Estado brasileiro. Tem que ser agora! Nós temos que resistir agora. Nós não podemos permitir mais! Haverão outros Pinheirinhos! Já bateram nos estudantes da USP. Já bateram nos dependentes químicos! Agora seis mil excluídos levam porrada da polícia! Quem é o próximo? Onde para? É preciso deter este processo. É preciso intimidar e hoje esta intimidação tem que ser dizer claramente à sociedade brasileira e à comunidade internacional que há autores de crimes contra a humanidade no Estado brasileiro.”

Estão ai as perguntas que não querem calar. Até quando vamos ver essas injustiças acontecendo e ficar calados? Até quando vamos fingir que não vemos a atrocidade que estão fazendo com a comunidade? Até quando vamos aceitar de cabeça baixa os aumentos na condução, a precariedade da saúde publica, a educação pobre que as crianças estão tendo nas escolas publicas, o descaso dos políticos para com a sociedade e as injustiças que são cometidas diariamente pelo poder publico e privado?

Art. 1º Constituição Federal - Parágrafo único. “Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição”.

O poder está em nossas mãos, só depende de nós, cidadãos, mudar o rumo desse final infeliz, egoísta e obscuro para o qual estamos seguindo. Vamos lutar para um futuro melhor para nossos filhos, netos, bisnetos, para a sociedade em geral. Não se engane com o que você vê nas mídias, não vivemos na novela das oito, e nossa vida não é um comercial de margarina. Lute pelos seus Diretos, seja um verdadeiro cidadão.

Tamires G.

Justiça e Virtude no Pensamento Aristotélico




“A imaginação tem todos os poderes: ela faz a beleza, a justiça e a felicidade, que são os maiores poderes do mundo” – Blaise Pascal

Se pedirmos para dez pessoas dar sua definição sobre o que é Justiça ou qual a maior virtude que alguém pode ter, nos será oferecidas dez definições diferentes, cada uma de acordo com as ideias e verdades de cada um.  O grande filosofo Aristóteles nos oferece uma definição e relação de justiça e virtude, que de por ter sido tão bem elaborada até hoje é tida como exemplo, o que nos faz perceber que de certa forma nos faz cogitar que uma definição universal e válida é possível.

Aristóteles, em seu livro ‘Ética à Nicômaco’ apresenta duas espécies de Virtude: a intelectual e a moral. A primeira tem sua geração e crescimento no ensino, e por isso requer tempo e experiência; já a virtude moral é derivada do habito. A Virtude é adquirida pelo exercício, devemos nos atentar para a qualidade dos atos que praticamos. Em razão a dor que as ações virtuosas conferem, o homem fica tentado ao prazer gerado pela pratica do vicio. Assim o homem bom tende a agir de forma certa e justa e o homem mau de forma errada e injusta. A Virtude é uma disposição de caráter que se relaciona com a escolha de ações e paixões, consiste na mediana dessa relação.

Aristóteles apresenta a Justiça como sendo a virtude completa, pois a pessoa que a possui pode exercer sua virtude em razão de si mesma e ao próximo. A Justiça é dividida em dois campos de compreensão, o sentido particular e o sentido universal. A Justiça universal é a virtude que está em todas as demais virtudes, e é diretamente relacionada a Lei. Para Aristóteles a lei está diretamente relacionada ao justo, para ele uma lei má não é uma lei; logo, a Justiça tomada em seu campo Universal, não deixa de ser, o cumprimento da lei. A Justiça particular corresponde a dar a cada um o que é seu; a justiça em seu sentido estrito se subdivide em justiça distributiva, justiça corretiva e em um caso especial em Reciprocidade.

A justiça distributiva trata da distribuição de riquezas, benefícios e honrarias. Para Aristóteles a justa distribuição é um justo meio-termo entre duas pessoas e duas coisas, está é a concepção de justiça que agrega a função de dar a cada um o que é seu de acordo com seu mérito.

A justiça corretiva trata-se de uma proporção aritmética, nessa vertente a justiça é tratada como uma reparação de algo que foi, voluntaria ou involuntariamente, retirado de alguém por outrem.
Existe uma forma de justiça que não se enquadra na justiça distributiva ou na corretiva, pois esta está ligada principalmente à Produção. Aristóteles aponta que, por exemplo, as trocas entre um sapateiro, um pedreiro, um médico e um fazendeiro, para serem justas, devem alcançar certa reciprocidade. Esta forma de justiça é muito sensível, pois não está atrelada diretamente a bens ou a correções, mas à produção, é a ligação mais profunda já feita até então, na Filosofia do Direito, entre direito e economia.

Para Aristóteles a Justiça em relação à reciprocidade somente é possível entre os semelhantes, e se mede apenas entre os cidadãos da polis. Esta é uma visão conservadora e que resultou em várias criticas, pois o Justo passa a ser uma medida da elite, o que caracteriza um pensamento preconceituoso e até de certa forma arrogante.

A Justiça e a Virtude tem uma relação intima no pensamento aristotélico, pois a justiça agrega o equilíbrio de todas as virtudes. Ao relacionar virtudes com ações podemos concluir que o homem virtuoso é aquele que pratica a virtude em sua completude.

Podemos obter diversos conceitos a cerca da Justiça, mas com Aristóteles percebemos que de certa forma sempre haverá uma semelhança a respeito da justiça. Seja relacionando certo e errado, bom e mau, bem e mal, igualdade e desigualdade, amizade e inimizade, a Justiça sempre aparece como um equilíbrio ou como a Virtude se sobrepondo ao Vicio. 

Tamires G.

Fontes: Ética à Nicômaco – Aristóteles; Filosofia do Direito – Alysson Leandro Mascaro.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Ninguém

(“Vários perguntam se eu to bem mas poucos se importam com a resposta!” - Emicida)



Olá, meu nome é Ninguém, sou uma pessoa que vive nas ruas. O papelão é o colchão mais macio que posso ter, minhas refeições são resumidas em restos, que jogam no lixo ou que jogam em mim. As vezes não vejo diferença entre um e outro, mas eu respiro e o lixo cheira...

Tenho um poder que muitos gostariam, mas que daria tudo para não ter. Sou Invisível. Muitos passam por mim, mas ninguém me vê. Muitos me vêem, mas ninguém me olha. Muitos me olham, mas abaixam a cabeça e seguem... Por que alguém iria querer isso?

Alguns visíveis pensam que sou de brinquedo, que não sinto nada, me batem, me esfaqueiam, tacam fogo em mim, é ai que deixo de ser invisível e passo a ser uma coisa. Uma coisa que não existe, que pode ser violada sem nenhum problema...

Ninguém se importa com quem não é visto, com o que não existe.

Debaixo dos meus trapos, a noite, passo frio, congelo e visito a morte. De dia com o sol esquentando meu corpo, volto para uma vida, que sequer pode ser chamada assim.

Não vivo, apenas sobrevivo e essa sobrevida acaba com quem sou. Já não sei meu nome, não sei da onde vim, não sei pra onde vou e se vou, já não sei nada... 

 Tamires G.

terça-feira, 6 de março de 2012

Desabafo...


"Triste época! É mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito" - Albert Einstein 

 É muito triste para uma acadêmica de Direito ouvir de um professor de Ética, que vai falar sobre a conduta dos profissionais de Direito falar que a Universidade é "uma coisa para a Elite" e quem não se enquadra nisso vá para a Construção Civil virar pedreiro. Onde está a Ética nessa afirmação? O que isso que dizer? Então agora por que sou pobre, por que não sou da "Elite" não posso mais estudar? E outra, desde quando construção Civil é uma profissão indigna? Muito pelo contrário, é tão digna quanto qualquer outra. Todas as profissões vivem uma relação de mutualismo, uma ajuda a outra, uma não trabalha bem sem a outra; essa interdependência que vivemos é a Alteridade, como muitos antropólogos e cientistas sociais afirmam, a existência do "eu-individual" só é permitida mediante um contato com o outro. O que seria do mundo sem as grandes empregadas domésticas, que nos ajudam a viver em um ambiente limpo e confortável no trabalho ou em casa? Sem os pedreiros então nem se fala, eles que constroem os lugares onde moramos, o nosso lar, nosso local de trabalho e até o de lazer não existiria sem eles.
Estamos vivendo em uma sociedade tão mesquinha, tão frívola, amoral, e alienada que ninguém mais percebe o próximo. Vivemos em um país dos invisíveis e indesejáveis, que são esquecidos por uma minoria governante que só quer saber do próprio umbigo. Que não se importa com a base do país, que não percebem que sem essas pessoas que eles ignoram, não existe harmonia, não existiria esse luxo em que vivem.
A cada aula de Filosofia que tenho, ouço falar sobre Ética, sobre Moral, sobre os valores de Justiça, do Bem, da Verdade e me empolgo e estudo mais, e quero ajudar para que todos saibam disso, e procurem seus direitos com isso. Por que é isso que um acadêmico de Direito e que um profissional do Direito deve fazer, lutar por uma sociedade mais justa e equilibrada e não falar um absurdo desses. Aristóteles relaciona Justiça a legalidade e a igualdade, assim justo é tanto aquele que cumpre a lei, quanto aquele que realiza a igualdade. Precisamos de uma sociedade com uma ideologia que junte "esses dois lados" da Justiça aristotélica, uma lei que é igual a todos, uma sociedade que não trata as pessoas de acordo como "status" ou que tenha o pensamento arcaico de que só "quem é da Elite que deve estar na faculdade".
Estamos em pleno século XXI e parece que quanto mais o tempo passa, ou invés de aprendermos e melhorarmos as teorias dos pensadores parece que de um "pane no sistema" tudo que foi dito é deturpado. Ver o governo colocar a disposição de uma pessoa 2 mil policiais para tirar 4 mil pessoas de suas casa sem qualquer pudor, ver políticos que já se candidataram para Presidente não saber o nome do país e fazer descaso do fato, a saúde publica em um estado deplorável, o transporte cada vez mais caro e quanto mais aumenta mais piora a qualidade, moradores de rua cada dia mais esquecidos, o "invisíveis" cada vez mais ignorados, e a educação cada vez mais deixada de lado faz com que me lembre do pré socrático Empédocles que por volta de V a.c disse: "Mas por que dedicar-me a estas coisas, como se fosse extraordinário ser mais do que os homens mortais e condenados ao perecimento?".
Em resposta a essa pergunta, digo que devemos nos dedicar para que possamos ter uma vida melhor, em uma sociedade mais justa, onde a criança pobre da periferia tenha a chance de ter uma boa educação e possa escolher o que quer ser, desde médico e advogada, empregada doméstica ou pedreiro, não importa qual profissão, todas tem sua importância, o que deve ser levado em conta é o modo como o serviço é feito, o caráter do funcionário e não o tipo de emprego que ele possui. Um dia Voltaire disse uma frase que carrego como uma de minhas filosofias "Eu não concordo com uma palavra do que você diz, mas defenderei até a morte o direito de dizê-las". Todos tem o direito a Liberdade de se expressar, de lutar por suas ideologias, mas é revoltante e triste ver tantas opiniões torpes, tanta falta de sensibilidade de bons valores. O que está acontecendo com a sociedade?
Quando que a maquiagem vai deixar de ser mais importante que a imagem? Todos somos seres humanos, caracterizados pela racionalidade, aonde foi parar a Razão? 

 Tamires G.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Para pensar...

"Aqui pro cidadão honesto ter um teto, Só pondo o fogão na cabeça invadindo o prédio. Saindo na mão com PM do choque, Sobrevivendo o tiro da reintegração de posse. Pergunta pro tio do terreno invadido no escuro, O que é um trator transformando sua goma em entulho... A marcha fúnebre prossegue."   Facção Central 


São quatro horas da manhã, todos dormem na vizinhança e um silencio paira sobre suas casas. De repente a Pobreza abre os olhos, lá fora ouve um grito da Agonia e gargalhadas seguidas de gritos da Tortura. 
Todos acordam. Gritos, fogo e violência tomam conta de um lugar que até então estava calmo. A Pobreza vai para sua sala e se depara com a Injustiça derrubando sua porta e invadindo sua (até então) casa. 
A Impunidade impera, a Tortura governa, a Violência se sente absoluta de todo poder. 
E a Esperança, a Justiça e o Caráter? Onde estão? 
Estão no fundo da caixa preta e oca, de onde parece que nunca vão sair.
Parece que não foi só a Esperança que ficou lá dentro....



 Tamires G.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

O Avarento

(Ter bens e não usufrui-los é o mesmo que não ter)

"Um avarento juntou toda a fortuna que tinha e transformou em uma barra de ouro que enterrou em seu jardim. Com ela enterrou também sua alma e todos os seus pensamentos. E desde então, diariamente, ia inspecionar seu tesouro. Um de seus empregados, observando aquele vaivém, viu logo do que se tratava; desenterrou a barra de ouro e levou-a. Pouco depois, o avarento foi fazer sua inspeção. Quando viu o buraco vazio, começou a se lamentar e a arrancar os cabelos.
Vendo-o nesse estado, o transeunte perguntou o que afligia o avarento, disse-lhe: 'Por que está assim tão desolado? Tinhas o ouro e ao mesmo tempo não o tinhas. Basta pôr uma pedra no lugar onde estava a barra de ouro e imaginar que lá está. Pelo que vejo mesmo quando o ouro estava lá, não fazia uso dele'."

Esopo