terça-feira, 3 de abril de 2012

Ninguém

(“Vários perguntam se eu to bem mas poucos se importam com a resposta!” - Emicida)



Olá, meu nome é Ninguém, sou uma pessoa que vive nas ruas. O papelão é o colchão mais macio que posso ter, minhas refeições são resumidas em restos, que jogam no lixo ou que jogam em mim. As vezes não vejo diferença entre um e outro, mas eu respiro e o lixo cheira...

Tenho um poder que muitos gostariam, mas que daria tudo para não ter. Sou Invisível. Muitos passam por mim, mas ninguém me vê. Muitos me vêem, mas ninguém me olha. Muitos me olham, mas abaixam a cabeça e seguem... Por que alguém iria querer isso?

Alguns visíveis pensam que sou de brinquedo, que não sinto nada, me batem, me esfaqueiam, tacam fogo em mim, é ai que deixo de ser invisível e passo a ser uma coisa. Uma coisa que não existe, que pode ser violada sem nenhum problema...

Ninguém se importa com quem não é visto, com o que não existe.

Debaixo dos meus trapos, a noite, passo frio, congelo e visito a morte. De dia com o sol esquentando meu corpo, volto para uma vida, que sequer pode ser chamada assim.

Não vivo, apenas sobrevivo e essa sobrevida acaba com quem sou. Já não sei meu nome, não sei da onde vim, não sei pra onde vou e se vou, já não sei nada... 

 Tamires G.